O amor é como as flores: “ As flores não tem porquês. Elas florescem porque florescem...”

sábado, 14 de agosto de 2010

Cora Coralina

Amo os escritos de Cora Coralina, lendo Cora, lembro minha mãe, minhas avós, minha infância...
lendo Cora sou tão feliz!!!

Gente Antiga II

Aquela gente antiga explorava a minha bobice.
Diziam assim, virando a cara como se eu estivesse distante:
“ Senhora jacinta tem quatro fulores mal falando.
Três acham logo casamento, uma, não sei não, moça
feia numa casa fácil.”
Eu me abria em lágrimas. Choro manso e soluçado...
“Essa boba...chorona...Ninguém nem falou o nome
dela...
Minha bisavó ralhava, me consolava com palavras de
Ilusão;
Sim, que eu casava. Que certo mesmo era menina feia,
moça bonita.
E me dava a metade de uma bolacha.
Eu me consolava e me apegava a minha bisavó.
Cresci com os meus medos e com o chá de raiz de fegoso,
Prescrito pelo saber de minha bisavó.
Certo que perdi a aparência bisonha. Fiquei corada
E achei quem me quisesse.
Sim, que esse não estava contaminado dos princípios
goianos,
de que moça que lia romance e declamava Almeida Garrett
não dava uma boa dona de casa.

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