O amor é como as flores: “ As flores não tem porquês. Elas florescem porque florescem...”

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Descobrindo a Poesia

Este texto foi escrito após a leitura de alguns poemas de Antologia Poética de Carlos Drumond de Andrade. Escrevi quando estava muito aborrecida com os telejornais, pelo excesso de notícias ruins e também em um momento de muitas descobertas. Ele é a minha interpretação do poema Cidadezinha Qualquer. Nele cito trechos de alguns poemas do Drumond: Canção amiga, pg.133, Memória, pg. 169, Romaria, pg.34 e Idade madura, pg.17. Uso também um trecho de um poema de Cora Coralina: Aninha e suas pedras.

CIDADEZINHA QUALQUER – Carlos Drumond de Andrade


Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras


pomar amor cantar
Devagar... as janelas olham


Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.


Eta vida besta, meu Deus.


Quero uma vida besta também.
Quero ser uma mulher entre laranjeiras, ter um pomar com todas as frutas e consentimentos, e cantar uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças. Quero ser como as janelas, olhar, olhar, procissão, romaria com muitas flores, prendas e rezas, os romeiros subindo a ladeira que leva a Deus, deixando suas culpas pelo caminho.
Quero o mundo da poesia, onde se possa amar o perdido deixando confundido um coração. Onde se aprendam novas palavras e tornem outras mais belas. Onde eu aprenda as lições da infância desaprendidas na idade madura. Onde se removam as pedras e plantem roseiras. Estou indo para uma cidadezinha qualquer, porque me cansei dos jornais. Abaixo as notícias ruins, que elas venham quando tiverem que vir, não vou atrás delas mais! Recomeçarei minha vida e farei dela um poema. Vida nova, bem diz Cecília Meireles " A vida só é possível reinventada" e para reinventar a vida é preciso muita arte.
Alguém diz - Acorda desse sonho louco! Esse lugar não existe.
Seu lugar é de luta. Eu digo - Está bem que neste mundo também se tenham lutas! Sim, pois que a luta também é necessária, mas que estas sejam leais.

2 comentários:

  1. Este texto veio em uma hora ímpar na minha vida! Estou ansiando por uma vida mais lenta e mais calma. Sem a correria dos estudos, dos concursos etc. Acho que estou conseguindo me livrar deste vício que me consome: estudar para concursos! Se eu conseguir isso, acho que ganharei uns anos a mais de vida. Confesso que não está sendo fácil tomar esta decisão. Depois conto se consegui! Quero a vida besta do poeta!

    Beijos

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  2. Sabe que eu acho? A vida sempre será assim, uma eterna busca, sempre descobrindo coisas boas e ruins e elas são mutantes, no começo podem ótimo,no meio normal e depois pode se tornar chato. Temos que largar as chaturas pelo caminho e nos reiventar, buscando novas vidas! E estas novas vidas também não serão perfeitas...
    Bjs

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