O amor é como as flores: “ As flores não tem porquês. Elas florescem porque florescem...”

sábado, 12 de junho de 2010

Uma certa liberdade

Uma ilha, um sobrado, uma mulher. Ela tinha 4 filhas. 4 filhas não é mole não!
Um convite de casamento. Junto, a filha de olhos azuis também era convidada a ser dama de honra. Como dizer não? Era gente conhecida, vizinhos há tantos anos, moça tão ajuizada. Mas, 4 filhas, 4 roupas, 4 sapatos... ia fazer um sacrifício.
Tudo combinado com o irmão, dono de um Chevette azul, ele levaria a família, duas vizinhas também iriam.
Chega o dia, a hora. Começa a arrumação. Menina pra todo lado. Ela toma um banho rápido, veste a saia, o sutiem e começa a arrumar as meninas. Meias calças, calcinhas de babados, sapatos de verniz, infinitos botõesinhos. Puxa de cá, puxa de lá, - Tá puxando mãe! Elásticos e fitas no cabelo. Choro!
Ela nervosa, dá um tapa e o choro se transforma em soluço engasgado. Uma fita some - Cadê a fita gente? - Pelo amor de Deus, fiquem quietas, se não vou ter um troço! - Pega aí, lá embaixo da cama, a fita, gente!
O tio chega com o Chevette azul, buzina. O marido, sentado na sala, já está arrumado há tempos. Quieto, olhando a parede. Ela suando, rolinhos na cabeça. Outra buzinada, o marido desce, senta-se ao lado do tio e espera.
As meninas sentadas no sofá, lindas nos vestidos feitos por ela!
Finalmente ela volta a se vestir. Veste a blusa de lingerie bordada, calça os sapatos, tira os rolinhos. Desliza o batom cor de vinho, na boca seca de sede. Uma última olhada no espelho.
Chama as meninas – Vamos!
Dentro do carro já estão as vizinhas conversando animadamente com o pai e o tio. Ela olha meio atravessado.
Empurra daqui, acerta dali.
O Tio dá a partida, lá vai o Chevette azul.
Chegam à igreja,
A noiva saindo do carro,
Mais correria,
Lá vai a mãe ver se a filha de olhos azuis está arrumada direito.
Ah! Está linda!
As outras três olhando, sonhando...
Entram depressa na igreja, quase lotada.
No meio tem lugar.
Sentam-se
A noiva entra,
A filha de olhos azuis, vestido de princesa, anágua rodada, cestinha de alianças.
As outras três olhando, sonhando ...
A noiva chega ao altar
Ela relaxa, encosta no banco.
Olha para as filhas - Como Deus é bom, quatro filhas lindas ele me deu!
Se sente tão leve, livre,uma liberdade esquisita.
De repente descobre
Esqueceu-se de vestir a calcinha!

9 comentários:

  1. Jac,

    Isto é real? Por um momento fiquei pensando se filha de olha azul era eu? Sei lá! Já nem me lembro! rsrsrs. bjs. Pat

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  2. Jac..adorei...gostaria de saber a visão das outras irmãs desse dia...bjos

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  3. Pat, isso aconteceu no casamento da Daisy!Claro que era você a filha de olhos azuis!rsrsrs

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  4. Anônimo, o comentário acima é da irmã de olhos azuis! Ela era super convidada para ser dama de Honra! Eu, tadinha de mim! Fui só uma vez! Vamos aguardar as outras se manifestarem!!!Talvez a Rapha não lembre, pois era bem novinha!rsrsrs

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  5. Jac,

    não me lembro nadinha deste acontecimento! Achei super engraçado e muito real. Mas sinceramente não me lembro!

    bjs,

    Sandra

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  6. Visão da caçula: não me lembro do dia, mas nunca me esquecerei da história...rsrs
    Lembro do chevette azul, de estar sentada de vestido rodado e fitas no cabelo, não só nesta vez, mas em todas as outras..rsr
    Mas o que mais me lembro agora é da minha mãe chorando de rir toda vez que conta essa história. Adoro a imagem da minha mãe chorando de rir.

    Jac, adorei.

    Beijo.

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  7. Suas desmemorizadas! Isso aconteceu no fim de 79 ou início de 1980. Deve ser por isso que não estão lembrando!! A Rapha tem razão, mamãe contava muito essa história e morria de rir!

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  8. As vizinhas eram Nailde e Domingas!!!

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  9. Caraca! eu já era bem crescidinha! Devia me lembrar deste acontecimento, mas não lembro não! Lembro-me vagamente da mamãe contando esta estória.
    Memória zero!
    bjs

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