Fernando Baéz
Ah! Que livro triste! Livro cheio de saberes e cheio de tristeza! É claro que pelo título já dá para saber que é o tipo de literatura que entristece. Tantas guerras, incêndios, mortes, naufrágios! Por mais que saibamos de suas existências ao nos depararmos com o cruel sempre ficamos estarrecidos. Milhões de livros perdidos para sempre!
Abaixo um pequeno exemplo do horror:
“Em novembro de 1940, as tropas soviéticas invadiram a Letônia e a Lituânia. Massacraram a população civil e estabeleceram uma férrea censura. Os soldados confiscaram os livros e, motivados pelos companheiros, queimavam-nos para amedrontar. Na Ucrânia, os alemães destruíram 151 museus, 62 teatros e 19.200 bibliotecas.” Presta atenção 19.200 bibliotecas, o quê, que é isso...?
Lidar com destruição é tarefa difícil!Mas toda tragédia tem a sua poesia, eis que descubro esta, do irreverente Charles Bukowsky, o poema intitulado O incidente de um sonho:
A velha Biblioteca de Los Angeles
Provavelmente evitou
Que me convertesse em
Suicida,
Ladrão
De bancos,
Um cara que bate na mulher,
Um açougueiro ou
Um motociclista da polícia
E, embora admita que
Sejam boas atividades,
Graças
À minha boa sorte
E ao caminho que tinha de percorrer,
Aquela biblioteca estava
Ali quando eu era jovem e buscava
Algo a que me aferrar e não parecia que havia
Muita coisa.
E abri o
Jornal
E li a notícia do incêndio
Que destruiu
A biblioteca e a maior parte
Do que havia nela
Disse à minha
Mulher: "Eu costumava
Passar horas
E horas
Ali[...]".

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