O amor é como as flores: “ As flores não tem porquês. Elas florescem porque florescem...”

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O ninho


Hoje o dia foi corrido, não cosegui escrever o que queria. Então pedi uma ajudinha a um amigo e ele chamou outro amigo para juntos me socorrerem .


Gaston Bachelard é um homem que amo pela erudição, simplicidade e poesia. Erudição e simplicidade, que coisa rara! A erudição de Bachelard está sempre escondida, para não atrapalhar. Erudição escancarada é sempre despudorada, pornográfica, ofensiva. A poética do espaço: esse é o título que deu a um dos seus livros. Poética do espaço? O espaço fica poético quando um homem o modela. Quem constrói uma casa faz um poema. Por isso enchemos as casas de plantas, de quadros, de música, de livros. E que dizer da poética das gavetas, dos cofres e dos armários? Ah! Quanta poesia as gavetas podem conter, especialmente aquelas que são trancadas a chave! A concha, casa assombrosa dos moluscos, os cantos, a imensidão íntima: todos esses espaços estão cheios de poesia. Faz uns dias, olhando o jardim que minha filha Raquel plantou na pequena varanda do meu apartamento, lembrei-me de um parágrafo seu que me comoveu: “Ergo suavemente um galho; um pássaro está ali chocando os ovos. Não levanta voo. Somente estremece um pouco. Tremo por fazê-lo tremer. Tenho medo que o pássaro que choca saiba que sou um homem, o ser que deixou de ter a confiança dos pássaros. Fico imóvel. Lentamente se acalma - imagino eu! – o medo do pássaro e o meu medo de causar medo. Respiro melhor. Deixo o galho voltar ao seu lugar. Voltarei amanhã. Hoje, trago comigo uma alegria: os pássaros fizeram um ninho no meu jardim”. (Rubem Alves – Ostra feliz não faz pérola).
É desse tipinho de gente que eu gosto , ajudam sem pedir nada em troca!

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